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Formação Permanente

segunda-feira, 27 agosto , 2012

Formação Permanente – texto de Susan Guggenheim (membro titular da Formação Freudiana).

Como se forma um psicanalista? esta antiga pergunta permanece de difícil resposta.

Freud tentou fornecer em vários de seus trabalhos algumas indicações do que ele, o criador da psicanálise, imaginava como adequado para alguém ser um psicanalista.Os Textos técnicos, a Análise leiga e as inúmeras indicações de sua atuação nos Casos clínicos podem conter algumas pistas do que poderia ajudar numa formação.

Desde a criação da International Psychanalitic Assotiation muita coisa mudou. Vários foram os motivos para estas mudanças. Depois da morte de Freud, a herdeira natural de seu legado, Anna Freud junto com Ernest Jones tiveram uma voz ativa na Sociedade psicanalítica, conhecida entre nós como a IPA.

Inúmeros os historiadores da psicanálise descreveram com detalhes o movimento que se expandira em vários países e cuja política era determinada por aqueles que se sucederam após o falecimento dos pioneiros. O arquivo com os textos inéditos de Freud ficaram sob a guarda de sua filha, a espera de sua publicação durante décadas.

Cada “IPA local” tomou um pouco do colorido do país aonde ela se estabeleceu. Se tomarmos o exemplo brasileiro, podemos lembrar do pioneirismo paulista na criação da Sociedade Brasileira de Psicanálise e as influencias culturais que incluíram até os ares da Semana de 22. Com um restrito grupo Tarsila do Amaral, também se juntou nas leituras da obra de Freud. Mas, como nem tudo são flores, as Sociedades se

dividiram em conseqüência de divergências teóricas, políticas, pessoais e com isto as rígidas regras de formação foram se modificando.

Hoje, permanecem nestas sociedades ligadas a IPA a figura do analista didata, das supervisões obrigatórias, a apresentação dos relatórios de 2 casos analisados (um homem e uma mulher), o estudo teórico que inclui diversos autores pós freudianos e a exigência que o candidato a psicanalista seja médico ou psicólogo

É evidente, que uma formação na IPA por motivos teóricos e ideológicos não agradou a muitos. O mais destacado deles, até agora, foi Jacques Lacan que após a sua expulsão da IPA, resolveu mudar muitas das regras do que seria o exercício da psicanálise. Não pretendemos aqui descrever todas as transformações propostas por ele. Mas, a extinção dos analistas didatas, a abertura para qualquer pessoa, médica, psicóloga ou não, poder participar da Escola, o tempo e número de sessões a freqüentar, o estudo teórico em cartéis, o passe e muitas outras inovações atraíram candidatos em todo o mundo.

Como a IPA, a Escola de Lacan sofreu contestações, divisões e também deixou herdeiros. Hoje, J.A. Miller genro e próximo colaborador de Lacan detém os direitos autorais de sua obra e de Paris envia suas coordenadas do que deve ser estudado. Seus textos tentam acrescentar e fazer compreender o que Lacan deixou em seus Escritos e Seminários.

No Brasil, existem inúmeras escolas lacanianas, a maioria rompida com J.A. Miller mas, bastante fiéis aos ensinamentos de Lacan.

Como ficariam então as formações de psicanalistas, uma vez que existem também, muitas sociedades e grupos de estudiosos da obra de Freud? não é nada simples responder a esta questão. Precisamos levar em conta que não só Lacan criou uma escola. O suíço Carl Jung, William Reich, para citar os que institucionalizaram as suas idéias, mas também Melanie Klein, Ferenczi, Françoise Dolto acrescentaram novas teoria e técnicas a psicanálise. Estes autores são apenas exemplos das diversas correntes teóricas presentes até hoje. Cada uma destas escolas e teorias imprime um modo de praticar a psicanálise.

Mas, o que fica de essencial em toda esta trajetória? pelo que já foi exposto, o caminho é cheio de variantes técnicas, teóricas, ideológicas, culturais e até geográficas. Algo, no entanto, permanece no centro de uma formação que deverá ser permanente, a análise pessoal.

A análise pessoal, esta exigência que vem deste Freud é a formação do próprio analista enquanto sujeito em conflito com ele mesmo e o mundo. Como lidar com a própria neurose e com o tão falado mal estar na cultura/civilização?

_ “Vai ver isto na sua análise”, podemos dizer para os conflitados colegas psicanalistas mais próximos.

Mas a escolha do analista pessoal, ou seja aquele com quem o futuro analista fará a sua análise também vem de algum lugar. Mas de que lugar? de qual formação, de qual sociedade ou escola? as ofertas de formação são inúmeras, a escolha de um psicanalista por aquele que deseja estudar teoria e ser psicanalista é uma tarefa bastante longa e complexa.

Tudo o que se estuda sobre transferência, o lugar do custo financeiro de uma análise pessoal, o que ela pode provocar de auto conhecimento e muito mais, não delimita como deverá ser uma formação. Daí, a necessidade deste tema estar sempre presente, ser pensado, trabalhado e discutido por todos aqueles que por algum motivo, se envolveram de modo efetivo com as idéias de Freud.

 

Susan Guggenheim (membro titular da Formação Freudiana)

 

 

 

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