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Supervisão – Uma experiência de Inconscientes

quarta-feira, 21 junho , 2017

No presente artigo buscamos apresentar algumas questões referentes ao trabalho de supervisão, que carrega uma dimensão analítica e que inspira a emergência de valores estabelecidos por ocasião de encontros valiosos entre analista supervisor e psicanalistas demandantes. Mais especificamente trata-se aqui de refletirmos sobre o percurso traçado em tais encontros, atravessados por diálogos singulares de uma experiência comum do inconsciente.

 

 
Percorremos os passos iniciais desse trabalho diante de formas clínicas mistas e casos complicados, questionando o supervisor sobre a função de restituir o intercâmbio com determinados pontos de resistência que restringiam a mobilidade da prática, e a maior disponibilidade para a afinação da escuta.
 
Algumas insistências se fizeram presentes, revelando pontos inconscientes que capturavam a clínica, e que deveriam ser trabalhados e apropriados em análise pessoal e não exatamente ali. Esse apontamento se deu logo nos primeiros encontros e contribuiu para a constituição de etapas a serem observadas.
 
Apreendemos que escrever, e escrever sobre os casos discutidos nos encontros, consultando-os de tempos em tempos, era não somente uma possibilidade para que o diálogo entre supervisor e supervisionados fosse original, mas para que nós próprios analistas fôssemos surpreendidos pelo estilo e capacidade de trabalho de cada um, aproximando-nos ao trabalho do escultor – “per via di levare” – que apenas retira o excesso que recobre a forma ideal.
 
Percebemos que a experiência do diálogo juntamente com a teoria estudada, podia nos afetar para uma estruturação do nosso estilo original de escuta e atendimento, se fazendo necessário, uma vez que “psicanálise é uma prática da palavra falada”.
 
E por último, mas não menos importante, pensamos que adquirir sentido nesse lugar que ocupamos, em um apaixonante percurso enquanto psicanalistas, seria fundamental para o modo como iríamos a partir de então tratar e escutar nossos pacientes.
 
Sabemos que a demanda transferencial é demanda de amor, e a sorte de cada análise pessoal dependerá da não resposta ou das modulações interpretativas desta demanda. (Mannonni, M).
 
Supõe-se que no espaço de supervisão esta busca esteja contrariada, mas marcamos que os investimentos depositados no analista supervisor são movidos por motivos igualmente libidinais, que não estão a serviço dos conflitos sofridos pelo analista demandante.
 
Referimo-nos à uma zona de trabalho própria da supervisão, com uma interação produtiva, mas também à uma disponibilidade da história inconsciente de um outro, o supervisor, que não se mistura e se distingue no exercício de sua função.
 
Nesses encontros não há a angústia de sermos analisados, e nem de sermos dependentes (Ferenczi, 1932), o que nos permite uma elaboração aprofundada das pulsões desse ausente que é trazido para esse espaço.
 
Uma adolescente ao relatar sobre seus cortes nos pulsos, questiona se o que foi falado no setting seria mantido em segredo ou em última instância seria passado à sua mãe.
 
“Mas se eu lhe disser que vou me suicidar, você contaria para ela, não é mesmo?”
 
O manejo de questionar essa moça sobre o que ela faria se estivesse no lugar do analista, surpreende a paciente de imediato, mas confere um fortalecimento a essa construção em análise e à transferência, dando corpo a um psiquismo sexual transbordante de eloquências conflituais a serem cuidadosamente acompanhadas.
 
A entidade mediadora nos torna capazes de render homenagem à insistência repetitiva dos sintomas que emergem para tamponar a “dor insuportavelmente maior” descrita pela paciente.
 
Diante do escrito, marcamos que a supervisão vem a se constituir peça mestra na formação do analista, pois implica em um novo modo de pensar, um desembaraçar do estilo institucional, para estar atento às próprias palavras (J P Valabrega).
 
A experiência de inconscientes, nos possibilitou sermos atravessados por uma crítica de nós mesmos, e principalmente nos depararmos com lacunas em nossa formação.
 
Fomos convocados a aceitar a atividade desordenada e incessante do inconsciente que se apresenta, uma vez que adentramos em encontros de amor e inteligência que nos permitiram uma expansividade na nossa própria experiência psicanalítica.
 
Após um bom tempo sendo acompanhadas pelo estimado supervisor Chaim Samuel Katz, podemos afirmar que dificilmente estaríamos desse modo e nesse lugar de psicanalistas caso não tivéssemos tido a iniciativa de constituir esse grupo de colegas; eu, Marina Soares e Rachel Iankileviz.
 
Apropriamo-nos de um terreno fértil para estabelecermos trocas e mantermos uma relação interanalítica valiosa e indispensável, que pode nos apontar o que nos escapou, o que não foi visto e nem ouvido por nós em outro momento, mas sim na transferência paralela de uma SuperVisão.
 
 
Maria Cecilia Cury
 
Maria Cecilia Cury é Membro Titular da Formação Freudiana, psicóloga clínica e pós graduanda em teoria psicanalítica.
 
 

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